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Laudo confirma que PM atirou para matar
Taís Lacerda – Jornal Hoje

 

 


O laudo sobre a morte do bacharel em Direito Pedro Henrique de Queiroz, 23 anos, divulgado ontem no Instituto de Criminalística, concluiu que o policial militar Gevani Carvalho da Silva, 36, praticou ação intencional ao atirar. “O atirador desejava atingir aquele alvo e nisso teve sucesso”, leu o perito criminal Antenor Pinheiro, que apresentou o trabalho e o entregou ao delegado Paulo Roberto Tavares de Brito, titular do 7º DP, responsável pela investigação do caso. “Com estes elementos técnicos, provas materializadas, não temos dúvida que Gevane atirou para matar”, afirmou Brito.

O delegado disse que vai entregar o inquérito ao Judiciário até a próxima sexta-feira e que o soldado Gevane e o cabo Marcelo Sérgio dos Santos, 42, devem responder por homicídio doloso. Conforme informações do coronel Sérgio Katayama, assessor de comunicação da Polícia Militar (PM), os dois acusados podem ser excluídos da corporação. “Não admitimos este tipo de procedimento na PM, nem com bandidos, nem com pessoas de bem. Já foi aberto contra eles um conselho disciplinar, que pode culminar em exclusão”, declarou. Atualmente Gevane e Marcelo respondem ao inquérito em liberdade, foram afastados de suas funções, mas recebem seus salários normalmente, conforme explicou Katayama.

Realizado por uma equipe de sete peritos, o laudo mostra em detalhes o que aconteceu no dia 7 de setembro, quando Pedro Henrique foi baleado na cabeça. “O veículo fazia manobras radicais, mas não estava em alta velocidade”, afirmou Antenor Pinheiro. Sobre a possibilidade do projétil ter ricocheteado, atingido o asfalto e depois a vítima, o perito disse que, depois de varredura eletrônica feita por microscópio, foi constatado que as substâncias inscrustadas no projétil eram vidro, osso humano e fibras de algodão. “Não encontramos qualquer resquício de asfalto, é falsa a premissa de que tenha impactado contra o solo, o que elimina a possibilidade do ricochete. A trajetória foi retilínia entre o ângulo do atirador e a cabeça da vítima”, declarou.

A informação causou emoção entre familiares e amigos de Pedro Henrique, que acompanhavam a apresentação do laudo. A mãe do rapaz, Maria do Rosário Fernandes Queiroz, chegou a se retirar do auditório, com o rosto banhado em lágrimas. Em entrevista ao HOJE, ela afirmou: “Estamos confiando muito no trabalho da Polícia Civil e esperamos que seja feita justiça. A cada dia a saudade aumenta, meu filho não vai voltar, mas continuo lutando para que o que aconteceu com ele não aconteça com outras pessoas”.

Para chegar à conclusão de que o soldado mirou na cabeça da vítima e não no pneu tráseiro, como ele declarou na delegacia, os peritos analisaram também o impacto da bala no vidro do carro e o tipo de estrago feito. Foi considerado ainda o fato do atirador ter sido treinado pela PM para manusear corretamente sua arma. “Ao atirar, o soldado pode não ter querido o resultado morte, mas assumiu o risco, e a lei não faz diferença entre as duas coisas”, explicou o perito.

Sobre a distância a que foi feito o disparo, Antenor Pinheiro disse que esta informação é irrelevante. “Se foi a 6m ou a 22 m, o tiro produziu o mesmo efeito. Então, saber esta distância tem pouco interesse material”, declarou.

Como aconteceu Pedro Henrique levou um tiro na nuca na noite do dia 7 de setembro, quando estava voltando do batizado do filho, ainda bebê. O disparo foi feito por um policial que atendia a uma ocorrência de trânsito no cruzamento das ruas C-139 e C-151, no Jardim América. A vítima ficou internada por três dias, mas não resistiu e morreu no Hospital Santa Mônica.