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O valor de uma vida

Era para ser um dia de alegria. Aniversário de casamento e batizado do primeiro filho. Um domingo entre amigos e familiares. Mas de repente, tudo se transformou num pesadelo do qual, infelizmente, não se pode acordar. Desde o dia em que li a notícia de um jovem bacharel em Direito de 23 anos que foi baleado na cabeça por imperícia policial, não consigo parar de pensar na dor da família e, principalmente, da esposa que vê seus planos e sonhos interrompidos precocemente. Esperei a poeira abaixar para me manifestar sobre o assunto. Assim, pude analisar melhor o fato e ponderar a minha indignação na hora de escrever..

O casal e o filho de sete meses voltavam para casa de carona com um amigo. A viagem de carro foi interrompida no bairro onde moravam. Era barulho de tiros. A esposa, Pabline Queiroz, achou que a bala tinha ferido apenas a sua mão e só depois viu que o marido, Pedro Henrique Queiroz, tinha sido atingido na cabeça. De onde surgiu o tiro? A priori, pensaram ser bandidos. Mas infelizmente, o projétil saiu da arma de um policial. E este, além de não prestar socorro, alegou que o carro estava em alta velocidade e que não parou quando solicitado. Porém, esta versão foi desmentida pelas testemunhas. Mas o que fez esse policial militar, que estava a serviço da Superintendência Municipal de Trânsito, disparar contra um veículo sem um motivo aparente? Mesmo que o motorista estivesse fazendo manobras arriscadas ou dando “cavalinho de pau” – o que não foi o caso –, não havia motivo para os disparos. Como um revólver na mão, não se pode agir por impulso ou porque o colega pediu para que atirasse. Pressupõe-se que um profissional apto a portar uma arma de fogo tenha treinamento adequado para assumir tamanha responsabilidade. O caso não chocou só a mim. Por onde passo, vejo carros com imagens do jovem Pedro Henrique e frases que clamam por justiça. Desde o falecimento do rapaz, a família faz protestos nas ruas de Goiânia pedindo a punição dos responsáveis pelo crime. O que seus familiares e a própria sociedade temem é que o caso passe em branco, que esses policiais sejam apenas recolocados em funções administrativas ou encaminhados para uma avaliação psicológica, como já foi feito, e fique por isso mesmo. Infelizmente, essa prática é comum no Brasil. Crimes que envolvem policiais serem resolvidos apenas na própria corporação. Isso não pode acontecer. Devemos avaliar as responsabilidades de todos: dos policiais, da corporação e também da SMT. No caso de Pedro Henrique, é inadmissível que esses policiais não sejam punidos criminalmente. A história de 150 anos da Polícia Militar do Estado de Goiás não pode ser manchada por este episódio. A corporação também tem bons profissionais, que, aliás, é a maioria. O objetivo maior defendido por eles é promover o bem- estar da população. Espero e acredito que esse propósito seja cumprido. Não podemos permitir que dentro de uma entidade séria e respeitada como a PMGO tenham pessoas fardadas tirando a vida de cidadãos de bem. Por isso, é imprescindível que haja um julgamento sério. Pedro Henrique precisa sempre ser lembrado para que outro caso como esse não ocorra. Como parlamentar, sugiro que a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Goiás se fortaleça em defesa de casos como esse. Estou disposto a fazer o que tiver ao meu alcance para que a justiça seja feita. Vamos batalhar para que essa viúva ao menos tenha uma pensão digna para criar o seu filho. Mesmo sabendo que nada poderá preencher o vazio da ausência de Pedro Henrique na vida de seus entes queridos. Daniel Goulart Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB goiano www.danielgoulart.com ..

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