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Mais Pedros Henriques virão

O uso de armas de fogo pela Guarda Municipal é um dos principais assuntos de interesse da sociedade e tema de debate político desde – pelo menos – a campanha eleitoral de 2004. Entendidos e interessados discutiam se os servidores do município deveriam ou não carregar na cintura revólveres para “dar mais segurança” à população. Autoridades no assunto, como o senador e ex-secretário de Segurança Pública Demóstenes Torres, são favoráveis.

O empecilho maior era o fato de segurança não ser obrigação do município. E ainda não é. Ainda assim ficou meio que subentendido, entre políticos, que os guardas municipais deveriam, sim, andar armados. Tanto que o debate voltou à cena nesta campanha e faz parte do rol de propostas dos principais candidatos. Talvez não por coincidência projeto de lei que autoriza a prática já tenha sido sancionado a menos de três semanas da eleição. Se é mais segurança o que a população quer, aí está uma ação, digamos, em tempo bastante oportuno. O outro lado de se armar mais “autoridades” despreparadas pode ser visto no rosto dos familiares de Pedro Henrique Queiroz, morto aos 23 anos por conduta errônea de um policial militar em desvio de função. O PM estava a serviço (?!?) da Superintendência Municipal de Trânsito e atirou no “fugitivo”. O soldado que disparou o tiro (que seria para o pneu, mas parou na cabeça do motorista) passou pela mesma preparação que será dada aos guardas municipais: 330 horas de formação e 90 horas de tiro. Se não passou, deveria tê-lo feito. Se de fato frenqüentou as aulas, não aprendeu que não era caso de atirar. Nem aprendeu a mirar. Quanto aos guardas municipais, será que eles estarão preparados para abordar jovens que queiram, ao avesso da lei, se embebedar nos parques municipais? Será que a arma no coldre não os encherá de embrutecida autoridade sobre cidadãos que cometam pequenos deslizes cívicos? Será que terão coragem de correr atrás de bandidos que assaltam, roubam e matam? Se os homens da Guarda Municipal tiverem o mesmo preparado dos policiais militares, prefiro que continuem em suas bicicletas, portando na cintura apenas seus cassetetes e, quiçá, um spray de pimenta. Vão dizer, como já me disse um amigo que é guarda municipal, que precisam de armas para se defenderem em caso de assalto aos prédios públicos que vigiam. Que assim seja; dêem a arma ao servidor, mas garantam que ele não a use na rua. O que não precisamos é de uma PM municipal. Não se dá segurança para a população armando homens e mulheres sem preparo adequado! Que preparo é esse? Não sei. É preciso que os especialistas na área nos indiquem. O que eu e quem acompanhou o drama da família de Pedro Henrique sabemos é que a formação atual não está adequada. O caso de Pedro Henrique é um que ressoa por pertencer à classe média. Mas não é exceção. Histórias semelhantes se espalham pelas esquinas das periferias da cidade. Pedro Palazzo Luccas Pedro Palazzo Luccas é editor de Brasil/Mundo do DM. E-mail: jornalistapedro@gmail.com

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