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Convivendo com a Dor

“Não quero ser mais um”
3 de maio de 2014
Cartas
4 de maio de 2014
 

Pedro Henrique de Queiroz nasceu em 21 de dezembro de 1985, em Goiânia-GO. Cidade que ele amava... Cidade onde ele conheceu sua alma gêmea, que daí a algum tempo lhe traria ao seu mundo um pequeno ser... Um filho amado. Ele, seus dois irmãos de sangue, um outro irmão nos dado em adoção “que veio pelas mãos do Pedro, enviado por Deus”, eu e seu Pai formávamos uma família feliz, sempre rodeada de amigos, parentes.

Nossa casa sempre foi muito alegre. Pedro cresceu, estudou, resolveu que queria ser delegado, entrou com dezesseis anos para o curso de Direito, cumpriu seus cinco anos de curso, sem reprovação, muito dedicado, se formou com vinte e um anos. Foi mais uma alegria para nós, sim mais uma, pois naquele momento ele, o Pedro, já havia nos proporcionado tantas outras alegrias. Disciplinado chegou à faixa marrom no karatê, era um excelente nadador, dominava a informática, havia feito vários cursos na área. E ali, aos vinte e um anos, Pedro que tempos antes havia encontrado sua cara metade, era só alegria, pois dedicava seu diploma de advogado ao pai, a esposa e ao filho recém-nascido.

Era muito prestativo, gostava de ajudar a todos, principalmente os mais necessitados. Nascido em uma família religiosa, Pedro não teve dúvidas, e no dia do aniversário da esposa ele levou Davi a pia batismal. Foi um dia de muita alegria. Mas não teve a mesma sorte ao anoitecer, teve a vida brutalmente ceifada por um disparo da arma de uma policial militar, aquele que pagamos para nos dar segurança. Na madrugada de 11 de setembro de 2008, concluiu-se o atentado vil e covarde, praticado por um despreparado a mando de outro mais ainda. Morreu sem a menor chance de defesa, pois estava de costas quando a bala lhe acertou a nuca, estava de carona em um carro de um amigo. O que dizer da minha dor? O que dizer da dor de todos que estão unidos a mim... aos familiares, aos amigos, aos conhecidos, aos desconhecidos? O que dizer? Contar que esses assassinos continuam soltos e trabalhando? Tenho sim, tenho algo a dizer: Obrigado a todos que nos procuram, obrigado a todas as orações, preces recebidas, obrigado a todos que quando entregamos um panfleto, aceitam e ainda dizem que torcem por nós. Sou mãe, não quero vingança, quero sim JUSTIÇA, quero que meu neto quando crescer pergunte a nós quem matou seu pai, e nós possamos dizer: foi um bandido, mas pagou pelo seu crime. Quero que meu neto acredite nos homens, acredite nos valores morais e éticos e acredite que vale a pena viver. Agradeço de coração a todos que nos acompanham em passeatas, carreatas, missas, encontros, enfim em todos os eventos, e quero lembrá-los que no próximo dia 25, quinta feira, haverá uma nova audiência no fórum de Goiânia, a terceira, e como sempre contamos com todos. Deus lhes pague. Maria do Rosario

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