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Cartas

Convivendo com a Dor
4 de maio de 2014
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5 de maio de 2014

Morreu Pedro Henrique .

Era uma vez uma família feliz, que vivia em uma cidade considerada pacata e tranqüila, comparando com as outras cidades grandes. Uma família em que a matriarca era neta do já falecido professor Felicíssimo Espírito Santo, considerado em sua época uma pessoa íntegra e justa. Esta integridade e justiça eram passadas para a avó do Pedro Henrique, que passou para a mãe de Pedro Henrique e assim sucessivamente. Em um domingo feliz para essa família, que tinha acabado de batizar Davi, filho do Pedro, acontece um assassinato, E quem era a vítima? Pedro Henrique. Foi um assalto? Não, não foi. Sabem quem foi? Pasmem, foi a nossa polícia, aqueles homens fardados em quem devíamos confiar e chamar para nos socorrer em nossas horas de medo e desespero. Aqueles mesmos, que fazem juramento de defender a vida haja o que houver, que juram nos dar segurança e em quem achávamos que podíamos confiar. Eu não deixo aqui os pêsames para minha prima Rosarita, mãe de Pedro. Eu dou a ela o meu abraço e o conforto de Deus. Os meus pêsames vão mesmo é para a nossa cidade e a nossa segurança. .

SELMA ESPÍRITO SANTO BORGES

Morte de Pedro Henrique 1 .

Poucas vezes o editorial de um jornal me comoveu tanto quanto “O grito dos inocentes” [Jornal Opção, 1.732], sobre a morte brutal e sem nenhum sentido do garoto Pedro Henrique de Queiroz. Estou endurecida pelas dificuldades da vida, pela perda freqüente de entes queridos, mas devo dizer que, ao ler o Editorial, lágrimas escorreram pelo meu rosto. Pedro Henrique não voltará mais, porém sua memória deve ser cultivada pelos parentes da sociedade. Sua morte deve ilustrar a tese de que devemos continuar trabalhando por uma sociedade mais democrática, justa e civilizada. .

CLARA PEDROSO é professora.

Morte de Pedro Henrique 2 .

A vida não tem mesmo mais importância, como registrou o Editorial do Jornal Opção. Em Brasília, estamos assolados pelos seqüestros-relâmpagos. Há algum tempo, a filha de um amigo advogado foi seqüestrada na saída de uma faculdade. Viveu momentos de horror e, para voltar para casa, teve de andar dezenas de quilômetros, sozinha, à noite. Felizmente,os criminosos só queriam dinheiro e o carro. Mas ela ficou traumatizada, e hoje é paciente de psicólogo e psiquiatra. A morte de Pedro Henrique de Queiroz,um garoto de 22 anos, deve, pelo menos, servir de lição para todos nós:para viver numa cidade grande é preciso mesmo de muita paranóia. Pais e filhos devem ficar mais atentos e usar olhos de lince. As ruas são mortais. .

PEDRO CAVALCANTI FILHO

SE ESTA RUA FOSSE MINHA.... .

Quando há 23 anos atrás ,me mudei com minha família para esta rua,jamais pensei que viveria tão intensamente tantos fatos. Meus filhos,três meninos, na época tinham 14, 12, e 9 anos. Com isto ,cresceram juntos com os outros meninos que aqui também moram.Uma convivência parceira e sadia e baseada em um companheirismo e lealdade inquestionáveis. Minha casa que sempre esteve de portas abertas à todos, virou o local das reuniões tipo, onde vamos acampar,comemorações da alegria de cada um deles,ate mesmo reuniões só para se encontrarem, ou de “gabinete de crise” como diziam quando iam resolver alguma coisa .E elas nunca acabavam em pizza mas em um bom e alegre churrasco. As concentrações das saídas para os jogos ,pois eles têm um time de futebol,sempre foram daqui de casa.Até na hora de saírem parecem um bando que alegres periquitos ,em um entra e sai,ora para beber água ,ora para chamar alguém que ficou retardatário,enfim uma grande alegria. Alguns “meninos” que hoje já homens casados ,e que continuam “inhos”para mim,como Rodriguinho,Robertinho, Thiaguinho ,e outros “inhos” que aprendi a amar como filhos. De repente um TSUNAME nos atinge.Naquela noite de domingo que parecia tranqüilo,ecoam os gritos de dor da Camila “atiraram no Pedro”.Impossível descrever a tentativa de auto controle ao descobrir que no meio da alegria de um batizado,um jovem pai é baleado. Na porta do Hospital Santa Mônica ,naquela madrugada triste e fria ,familiares e amigos esperavam um milagre.Infelizmente isto não aconteceu.Terrível a dor de todos ao ver que a vida do tão jovem Pedro Henrique foi ceifada por um ato de covardia e despreparo. Perdeu a vida pelas mão de alguém que PAGAMOS para nos proteger. Como em todo segmento existem os bons e os maus profissionais.O que se espera é que não haja CORPORATIVISMO.Isto quem pede não é somente a família e os amigos mas uma sociedade massacrada por Leis obsoletas .Esta mesma sociedade em menos de um mês deu seu grito de BASTA ao enviar 24.000 (vinte e quatro mil) assinaturas ao Ministério Publico pedindo Juri Popular. Tenho certeza que a mãe deste policial deve estar sofrendo muito pois,colocamos filhos no mundo esperando que eles não sejam covardes ,e assassinos.Gostaria de fazer um pedido especial a esta senhora.Quando ela estiver abraçando seu filho nas comemorações de fim de ano,que ela eleve seu pensamento ao Divino Mestre,pedindo que ele console os braços vazios do abraço do Pedro Henrique para Rosarita,seu pai Sr. Roberto e seus irmãos Robertinho , Camila e Inácio. E que Êle possa amparar a Pabline,tão pequena fisicamente, mas digna e guerreira em sua dor de jovem viúva.E em especial que esta senhora peça para Êle proteger o filho do Pedro Henrique, o pequeno e lindo filho dele que apesar do nome profético DAVI, não pode impedir que o “Gigante Golias “ matasse seu tão jovem pai. Que este tão amado Davi possa crescer sabendo que o pai dele não morreu em vão, e que a justiça dos homens e de Deus se cumpriu. Parafraseando a modinha “Se esta rua fosse minha”,gostaria de pedir ao Mestre Jesus que consolasse os familiares do Pedro Henrique mas que em especial me permitisse um pedido:”Se esta rua fosse minha gostaria que a Mãe Santíssima estendesse seu manto sagrado amparando minha amiga Rosarita ao passar com sua imensa dor...” .

Isaura Carvalho

Baleado por policial .... .

Pedro Henrique Queiroz, recém-formado em Direito, ironicamente estudando para o concurso de delegado, foi covardemente baleado na cabeça por um policial no domingo, após ter saído da casa de sua sogra, Valéria Valle, em direção ao seu apartamento, situado também no Jardim América. Pedro e sua mulher Pabline, estudante de nutrição, que completou 21 anos segunda-feira, estava jantando na casa de sua sogra, após um dia extremamente feliz para a família, pois pela manhã ocorrera o batizado do filho do casal, Davi, de 7 meses. O casal estava se dirigindo ao seu apartamento de carona com o amigo Marcos César de Oliveira, quando na esquina do prédio onde mora, um policial atirou na cabeça de Pedro, assim de repente, do nada. Agora, Pedro teve morte cerebral. Sabemos que a punição desses covardes nunca apagará o que aconteceu, mas tamanha crueldade não pode ficar impune. Temos de evitar que mais famílias sofram em vão. Um ato como este não pode ficar por isso mesmo. Que a frieza desses policiais seja estancada de alguma forma. É inconcebível que se estrague uma família tão jovem, com uma vida cheia de planos e de sonhos. .

MURILO NASCIMENTO DE SOUZA

Questionamentos.. .

Todos os dias ao depararmos com o drama vivido pela Família de Pedro Henrique, nos perguntamos: porquê? Por que a vida promissora de um jovem que aos 22 anos já era pai de família foi interrompida covardemente? Novamente recorremos à pergunta: porquê? Por que alguns cidadãos, despreparados ,que se intitulam policias, denegrindo a corporação, uma vez que os mesmo devem nos proteger, saem às ruas cometendo imperícias, imprudências e porque não dizer atrocidades,se fazendo valer dos privilégios que suas atribuições lhes concedem? Por que meu Deus? São tantos os questionamentos, dúvidas e inquietações. Mas uma resposta é certa: a Justiça Divina há de prevalecer, e temos fé, uma vez que a mesma move montanhas, que a Justiça dos homens também seja concedida. Diante de tantos porquês, pedimos ao Supremo Arquiteto do Universo (Deus) que nos traga tão logo o alento da Justiça e que ninguém necessite passar por algo tão sofrível e doloroso como perder um ente que tanto ama vítima de uma falha humana ou melhor, um homem falho. .

Paula Cristina

Por Que?. .

Sou irmã do Roberto, pai do Pedro Henrique. Nós formamos uma família grande e unida. Somos 9 irmãos. Tenho 24 sobrinhos (agora 23), 7 sobrinhos netos e 1 sobrinho bisneto.Meus pais já são tataravós. A família da mãe do Pedro também é muito unida. Convivemos juntos desde que eu era bebê, quando meu irmão começou a namorá-la.Há quase 40 anos... Caçula de sua casa, Pedro sempre foi alegre, brincalhão e amoroso. Tinha uma alegria de viver e viveu intensamente. Foi rápido em tudo. Formou-se cedo, casou-se cedo e foi pai cedo, como se pressentisse que não teria muito tempo de vida. Apressou-se em viver da melhor forma possível. Quero contar uma passagem de nossas vidas, pois as pessoas vêem as fotos estampadas nos carros, nas camisetas e cartazes e dizem: “Nossa como ele era lindo...” Eu gostaria que cada um de vocês soubesse como ele era lindo também por dentro.Como a família é muito unida, costumamos passar os domingos na chácara da minha irmã. Num desses domingos realizamos um campeonato de vôlei, com direito a medalhas e troféu. No primeiro jogo do dia, eu caí e me machuquei. Pedro Henrique se ofereceu para me levar ao hospital. Ficamos uma boa parte do dia lá, entre consulta, radiografia, até engessarem meu pé. Eu estava preocupada com ele, perdendo os jogos e as brincadeiras na chácara. Todos estavam lá jogando, se divertindo, nadando, e ele comigo, preso em um hospital. Mas o tempo todo Pedro continuava tranqüilo, brincalhão. E falava: “Tia, não preocupa não. Tá tudo bem”. Quando voltamos para a chácara o campeonato já tinha acabado. As medalhas já tinham sido entreguese os familiares estavam comemorando. Ele perdeu boa parte deste domingo comigo no hospital, e esteve o tempo todo tranqüilo e feliz. Pedro formou-se em Direito no final do ano passado. Completou 1 ano de casado no sábado, dia 06 de setembro. No domingo, dia 07 de setembro, batizou Davi, seu filho de 7 meses.Neste mesmo dia comemorou o batizado o dia todo com familiares e a noite foi jantar na casa de sua sogra, com a esposa. Às 20:30, quando voltava para casa, já quase chegando, ele, que estava com sua esposa de carona com um amigo, foi atingido por um policial que prestava serviço para a SMT. A arma que o atingiu era de calibre 40. A bala era dum-dum, e explodiu sua cabeça. O meu sobrinho não estava dirigindo, estava de carona. Pedro era um rapaz tranqüilo, alegre, amoroso e extremamente bom. Muito família, e extremamente responsável. Sua vida estava praticamente iniciando... Ele, que sempre foi carinhoso e brincalhão com os primos, amigos e irmãos, foi privado de curtir a infância de seu filho Davi. Não vai vê-lo dar os primeiros passos e andar. Não vai vê-lo falar as primeiras palavras e contar os casos da escola. Não vai ensiná-lo a jogar bola, a subir na jabuticabeira, entre tantas outras coisas... Por que foi acontecer isto com ele? Por que? Eu que sou católica e creio em DEUS, cheguei a questioná-Lo. Senhor, por que? Ele estava começando a vida... O Padre Alcides, na missa de 30º dia de falecimento do Pedro Henrique, disse sabiamente:_ As pessoas quando nos encontram em um momento desses, nos dizem: _ foi DEUS que quis assim... Mas isso não é verdade. DEUS não quis isto. Quem quis isso foi o policial despreparado que atirou em sua cabeça. Por que sacar a arma, atirar, e nem se dar ao trabalho de socorrer?Por que os responsáveis pela nossa segurança consideram um ato desses como uma “fatalidade”? Por que temos que aceitar o assassino dizer que estava fazendo o seu trabalho, quando na verdade seu trabalho era nos proteger? Por que um policial a serviço da sociedade, recebendo para protegê-la, atira em um cidadão de bem, que nada fez e que nunca apresentou risco a ninguém ? Por que os policiais podem trabalhar nos seus dias de folga, dobrando turnos para ganharem mais, e, o que é ainda pior, armados e sem preparo para atuar na função no trânsito? Por que, Por que, Por que? São tantos porquês... Por que a família,apesar do sofrimento, ainda sai em carreatas, passeatas, colhe assinaturas e participa de eventos, relembrando o fato a todo momento, prolongando sua dor e sofrimento ? Fazemos isto, para que este caso não seja só mais um! Fazemos isto, para que a justiça seja feita. Mesmo sabendo que o policial que atirou em meu sobrinho e tirou-lhe o direito de viver está de férias, ainda acreditamos que nossas autoridades tratarão este caso de uma forma diferente, punindo os culpados e não deixando que se torne apenas mais um caso de impunidade. .

Lucia Amelia de Queiroz

Voces erraram. .

Esta carta não é para o Pedro, meu primo. Para ele, minhas orações e meu amor eterno. Esta carta é para os policiais que o assassinaram cruelmente. Se é que posso chamá-los de policiais, considerando a falta de respeito deles por essa profissão. Geovani Carvalho da Silva, acusado de ser o autor do disparo, e Marcelo Sérgio dos Santos, que teria ordenado o ato, vocês destruíram não só uma vida. Foram várias. Acabaram com a vida de um rapaz que nada fez de errado. Arrasaram o coração dos pais, irmãos, familiares e amigos. Deixaram desamparados sua mulher Pabline e seu filho Davi. Vocês vão escutar esses nomes pelo resto de suas vidas. Não por suas consciências, mas por nossas vozes. Essas vocês não vão conseguir calar. Enquanto não acertarem suas contas com a Justiça, nenhum de nós vai descansar. Tenham isso como certo. Errado é, sem nenhum motivo, atirar para matar um jovem que nem sequer soube por que morreu. Vocês atiraram. Mas, se pensam que acertaram, raciocinem bem. Vocês erraram. .

JULIANA OSÓRIO CRUVINEL

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